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PARA LÁ DOS MEUS PASSOS


DOCUMENTÁRIO | ANGOLA | 2019 | 72 MIN |PÓS-PRODUÇÃO


FICHA TÉCNICA


Realização: Kamy Lara 

Produção & Co-Realização: Paula Agostinho

Dir. de Fotografia: Kamy Lara

Edição: Gretel Marín


LOGLINE


"Palco Invertido" acompanha o processo de montagem do mais recente espectáculo da única Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Durante a criação da peça "(Des)construção", os sete bailarinos são levados a viajar sobre um conjunto de danças tradicionais de Angola e a transforma-las, dando-lhes novos significados.  


NOTA DA REALIZADORA


Em Outubro de 2016 estreava, num pequeno auditório no centro da cidade de Luanda, o espetáculo “Ceci N’est Pas Une Porte” da Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Nessa altura vivíamos um clima político tenso. Activistas tinham sido presos e condenados. O país parecia estar dentro de uma panela de pressão prestes a explodir a qualquer momento. 

Em palco, os bailarinos dançavam confinados a pequenas caixas fracamente iluminadas, lutando para se expressar dentro de um espaço apertado e sufocante. Foi no final daquela hora de espetáculo que se implantou na minha cabeça a ideia para este documentário. Que caminho percorriam aqueles bailarinos até chegarem ao palco? Como poderia eu, através do cinema, dar continuidade ao debate que se iniciava em palco?

Foi assim que no início de 2017 me propus acompanhar a construção do espetáculo da CDCA para aquela temporada, desde o surgimento da ideia até à sua transformação em movimentos de dança e coreografia. 

"Para Lá dos Meus Passos" usa o espetáculo como ponto de partida para acompanhar a reflexão dos bailarinos sobre os temas explorados ao longo da peça: as suas origens, as suas tradições, a perda de identidade e a construção de uma nova,  imposta pelo tempo e pela mudança de uma zona rural para uma Luanda urbana. Uma história semelhante para tantos angolanos e angolanas.

Este caminho de adaptação pressupõe a mutação incontornável dos seus sonhos, valores e expectativas. Não só como cidadãos, mas também como artistas. A visão de Luanda como um grande palco para a sua arte choca com a constatação de que o reconhecimento da cultura e da dança não depende somente da sua resiliência, disciplina ou capacidade de equilíbrio no caos desta nova realidade urbana e capitalista.

Como realizadora angolana tentando fazer filmes em Angola, é impossível não me identificar com as angústias, sonhos e transformações que fui procurando conhecer nos bailarinos. Através deste filme, junto a minha voz à deles, à da Companhia e aos cidadãos e cidadãs do mundo que têm medo de esquecer quem são, de onde vêm e que reflectem sobre o que poderão já ter perdido pelo caminho.


SINOPSE


Durante a montagem do espetáculo (Des)Construção da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, cinco bailarinos exploram os conceitos de tradição, cultura, memória, identidade, questionando a transformação e a desconstrução destes temas nas suas próprias vidas.
A maioria deles - provenientes de outras províncias do país - traz consigo memórias e tradições ao se mudar para a movimentada, errática e frenética realidade da capital.
Em prol de uma integração, surge a necessidade da abdicação parcial do que somos e a necessidade de criação de uma nova identidade, reflectindo sobre o que de original permanece em nós ao longo dos diferentes caminhos de vida que vamos traçando.


MAKING OF