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PARA LÁ DOS MEUS PASSOS


DOCUMENTÁRIO | ANGOLA | 2019 | 52 MIN |PÓS-PRODUÇÃO


FICHA TÉCNICA


Realização: Kamy Lara 

Produção: Paula Agostinho

Dir. de Fotografia: Kamy Lara

Edição: Gretel Marín


LOGLINE


"Palco Invertido" acompanha o processo de montagem do mais recente espectáculo da única Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Durante a criação da peça "(Des)construção", os sete bailarinos são levados a viajar sobre um conjunto de danças tradicionais de Angola e a transforma-las, dando-lhes novos significados.  


NOTA DA REALIZADORA


Há alguns anos que sigo o trabalho da Companhia, cheguei até a colaborar com eles em alguns espetáculos, produzindo os vídeos. Sigo-os, não só pela profunda admiração que tenho pela persistência deste colectivo de se manter activo e, ano após ano, nos brindar com um novo espetáculo, apesar de todas as dificuldades que têm enfrentando. Sigo-os sobretudo pelo tipo de trabalho que levam ao palco, sempre crítico, actual e comprometido com a reposição do profissionalismo na dança, provocando novos olhares sobre aquilo que pode ser uma proposta para a dança contemporânea angolana, através de um profundo trabalho de investigação e reflexão.

Em Outubro de 2016, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola estreava em Luanda o seu último espetáculo “Ceci n’est pas une porte”, coreografado pela Ana Clara Guerra Marques e o Nuno Guimarães. Foi no final daquela hora de espetáculo que se implantou na minha cabeça a ideia para este documentário. Uma profunda curiosidade tomou conta de mim: que caminho percorriam aqueles sete bailarinos até chegarem àquele instante em cima do palco?

Foi assim que no início de 2017 me propus a acompanhar o trabalho destes bailarinos durante a construção do mais recente espectáculo da CDC, coreografado desta vez pela Mónica Anapaz. Durante 4 meses, segui o intenso trabalho de montagem deste espetáculo, desde o surgimento da ideia, passando pela sua transformação em movimentos de dança, até a sua estreia em Junho de 2017. 

Durante esse processo os bailarinos foram levados a viajar sobre um conjunto de danças tradicionais de Angola e, dia após dia, a desconstruí-las dos seus significados “originais” para dar-lhes novas interpretações.

Com este documentário, para além de querer matar a curiosidade sobre a magia de se construir um espetáculo - que acredito não ser apenas minha -, pretendo oferecer uma plataforma de reflexão sobre a ideia da cristalização das nossas tradições, questionado o equilíbrio entre a importância de preservamos uma cultura herdada que é nossa e que faz parte do que somos enquanto povo, e a inevitável transformação, adaptação, degradação, re-interpretação dessa mesma cultura.

Quero também que a peça influencie a nossa própria linguagem estética. Todas as escolhas técnicas de filmagem serão estudadas e conscientes, de forma que o documentário seja um prolongamento do que é construído durante os ensaios e na peça final em si mesma. O documentário será também uma peça de independência artística, com a sua própria personalidade cinematográfica e reflexiva, explorando a fronteira da sua função observadora.


SINOPSE


A 11 de Novembro de 1975 Angola proclamou a independência, 14 anos depois do início da luta armada contra o domínio colonial português. O regime de Salazar recusava qualquer negociação com os independentistas, aos quais restava a clandestinidade, a prisão ou o exílio. Quando quase toda a África celebrava o fim dos impérios coloniais, Angola e as outras colónias portuguesas seguiam um destino bem diferente. Só após o golpe militar de 25 de Abril de 1974 ter derrubado o regime, Portugal reconheceu o direito dos povos das colónias à autodeterminação.

Os anos de luta evocados em "Independência" determinaram o rumo de Angola após 1975. Opções políticas, conflitos internos e alianças internacionais começaram a desenhar-se durante a luta anti-colonial. As principais organizações (FNLA e MPLA e, mais tarde, UNITA) nunca fizeram uma frente comum e as suas contradições eram ampliadas pelo contexto da Guerra Fria. A independência foi proclamada já em clima de guerra, mas com muita emoção e orgulho, como é contado no filme.


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